A prática do disclosure como estratégia para a segurança do paciente no Brasil e sua relevância para os cuidados em saúde de pessoas idosas

Autores

  • Telma Rejane dos Santos Façanha Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília https://orcid.org/0000-0001-9445-3147
  • Isis Laynne de Oliveira Machado Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília https://orcid.org/0000-0003-0051-9307
  • Volnei Garrafa Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília https://orcid.org/0000-0002-4656-2485

DOI:

https://doi.org/10.17566/ciads.v11i3.910

Palavras-chave:

Comunicação em Saúde, Dano ao Paciente, Disclosure, Idoso, Profissional da Saúde, Segurança do paciente

Resumo

Objetivo: discutir a prática denominada disclosure no cenário contemporâneo da segurança do paciente, incluindo no debate o respeito aos cuidados em saúde de pessoas idosas e os desafios existentes para a implementação do disclosure no contexto das organizações de saúde. Metodologia: tratou-se de revisão narrativa, que tomou por base referências, guias e documentos orientadores adotados na Austrália e documentos publicados pela Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária que possuem ligação com o tema. A busca de referências bibliográficas deu-se pela plataforma Google Scholar, utilizando-se as seguintes palavras-chave: disclosure; dano; segurança do paciente; cuidados em saúde; e pessoas idosas. Resultados: a prática do disclosure está inserida na cultura de segurança do paciente em diversas instituições a nível internacional. No Brasil, contudo, não é uma prática reconhecida, nem mesmo nas normativas vigentes que visam a segurança do paciente. A literatura consultada demonstrou que, quando bem abordada, a comunicação aberta e honesta entre profissional da saúde e paciente, acerca de um dano ocorrido durante os cuidados, reduz conflitos e demandas judiciais. Conclusões: disclosure, como prática de comunicação, mostra-se relevante também para idosos, pois traz engajamento desses pacientes nas decisões inerentes a seus cuidados, promovendo seu direito à informação; trata-se, portanto, de importante ferramenta a ser utilizada em organizações hospitalares no Brasil, com vistas ao respeito a direitos e à segurança do paciente.

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Biografia do Autor

Telma Rejane dos Santos Façanha, Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília

Doutoranda em Bioética, Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-9445-3147. E-mail: telmarejane68@gmail.com

Isis Laynne de Oliveira Machado, Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília

Doutoranda, Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-0051-9307. E-mail: isis_laynne@hotmail.com

Volnei Garrafa, Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília

Pós-Doutor em Bioética, Universidade La Sapienza, Roma, Itália; professor emérito, Programa de pós-graduação em Bioética, Cátedra Unesco de Bioética, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-4656-2485. E-mail: garrafavolnei@gmail.com

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Publicado

20-09-2022

Como Citar

1.
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Edição

Seção

ARTIGOS