A fitoterapia na Atenção Primária à Saúde segundo os profissionais de saúde do Rio de Janeiro e do Programa Mais Médicos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17566/ciads.v9i4.637

Palavras-chave:

Fitoterapia, Plantas Medicinais, Atenção Primária à Saúde, Estratégia Saúde da Família

Resumo

Objetivo: identificar como a fitoterapia, uma das práticas integrativas e complementares mais incidentes no Sistema Único de Saúde, tem sido apropriada pelos profissionais que atuam na Estratégia Saúde da Família (ESF) no município do Rio de Janeiro, destacando os limites dessa utilização na perspectiva do direito à saúde integral. Metodologia: por meio de uma metodologia qualitativa, do tipo exploratória, foi realizado um estudo transversal sobre o uso e a prescrição de fitoterápicos e plantas medicinais por médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde, de dezembro de 2016 a março de 2018, por meio da aplicação de um questionário fechado e entrevista semiestruturada. Resultados: a fitoterapia ainda não foi apropriada pelos profissionais de saúde pesquisados: 66,7% dos médicos e 41,7% dos enfermeiros afirmaram prescrever fitoterápicos, entretanto, a maioria afirmou não ter tido nenhuma instrução sobre o assunto. O cultivo de plantas medicinais foi observado nas visitas domiciliares por 76,9% dos agentes comunitários de saúde e 54% dos enfermeiros. Já o uso pela população foi relatado por 83,3% dos enfermeiros e 80,9% dos médicos. Conclusão: A fitoterapia ainda permanece marginal na ESF. Promover e ampliar o uso da fitoterapia na Atenção Primária à Saúde pode resultar em experiências inovadoras que envolvam usuários, profissionais de saúde e gestores para transformar as condições de saúde da população.

Biografia do Autor

Mariana Leal Rodrigues, Departamento de Saúde Coletiva, Instituto Biomédico, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Doutora, Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rio de Janeiro, RJ, Brasil; professora adjunta, Departamento de Saúde Coletiva, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-1305-250X. E-mail: mariana.rodrigues@unirio.br

Carlos Eduardo Aguilera Campos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutor, Medicina Preventiva, Universidade São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil; professor associado, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-8277-5146. E-mail: cadu.dmfc.ufrj@gmail.com

Bianca Alves Siqueira, Escola de Medicina e Cirurgia, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Graduada, Escola de Medicina e Cirurgia, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-3169-2049. E-mail: bianca_alves_siqueira@hotmail.com

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Publicado

2020-12-16

Como Citar

1.
Rodrigues ML, Campos CEA, Siqueira BA. A fitoterapia na Atenção Primária à Saúde segundo os profissionais de saúde do Rio de Janeiro e do Programa Mais Médicos. Cad. Ibero Am. Direito Sanit. [Internet]. 16º de dezembro de 2020 [citado 5º de março de 2021];9(4):28-50. Disponível em: https://www.cadernos.prodisa.fiocruz.br/index.php/cadernos/article/view/637

Edição

Seção

ARTIGOS