Resumo
Objetivo: este artigo propõe uma discussão sobre a violência obstétrica sob a ótica do Legislativo brasileiro e do Sistema Interamericano de Proteção de Direitos Humanos. Metodologia: A pesquisa combinou revisão bibliográfica e estudo de caso, utilizando como referência o Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Além disso, foram analisados projetos de lei em tramitação no Legislativo brasileiro que abordam "parto" e "violência obstétrica". O objetivo foi relacionar as categorias identificadas nos casos da Corte Interamericana de Direitos Humanos com a finalidade central desses projetos de lei. Resultados: a cultura de violência e desrespeito à autonomia das mulheres está ligada a falhas estruturais dos serviços públicos, sobrecarga de trabalho dos profissionais, falta de vagas em unidades hospitalares e ausência de equipes médicas completas e equipamentos adequados. Conclusão: a violência obstétrica não recebe a devida atenção do Estado, resultando em violações aos direitos reprodutivos das mulheres, como trato desumanizante, medicação excessiva, ausência de consentimento, maltrato psicológico e desconsideração de contextos específicos. Propõe-se a prevenção e enfrentamento da violência obstétrica no Brasil, incluindo a perspectiva de gênero em todas as políticas públicas e programas que afetam a saúde das mulheres.
Submissão: 08/10/24| Revisão: 19/02/25| Aprovação: 20/02/25
Referências
Zanardo GLP, Gutierrez MMU, Marcondes CP, Menezes MLN, Lacerda EMA, Pillegi Júnior CA. Violência obstétrica no Brasil: uma revisão narrativa. Psicol Soc. [Internet]. 2017 [citado em 8 out. 2024]; 29:1-11. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/J7CMV7LK79LJTnX9gFyWHNN/?lang=pt
Mello AR, Paiva LML, Sento-Sé IV, Abbud MC, Machado LO, Santos BBCH. Se ficar gritando vai ter o filho sozinha: a violência obstétrica à luz do direito brasileiro e do Sistema Interamericano de Proteção de Direitos Humanos. Rio de Janeiro: NUPEGRE/Escola de Magistratura do Rio de Janeiro; 2024. 214 p. Disponível em: https://emerj.tjrj.jus.br/pagina/8/136/282
De Meira LLP, Mello AR, Sento-Sé IV. A violência obstétrica no Sistema Interamericano de Direitos Humanos: conceituação, barreiras e deveres dos Estados-partes. Confluências, Revista Interdisciplinar de Sociologia e Direito [Internet]. 2025 [citado em 8 out. 2024]; 26(3):57-81. Disponível em: https://doi.org/10.22409/conflu.v26i3.64872
Leal MC, Gama SG. Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento. Fiocruz: Brasil, 2014.
Organização Mundial da Saúde. Prevenção e eliminação de abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto em instituições de saúde. 2014 [citado em 8 out. 2024]. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/134588/WHO_RHR_14.23_por.pdf
Foucault M. Microfísica do poder. In: Microfísica do poder. Porto Alegre: Graal; 2005. p. 295.
Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70; 2011.
Weber M. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: Editora UnB; 1999.
Vieira EM. A medicalização do corpo feminino. 2ª reimp. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2015.
Vallana Sala VV. La enfermedad normal: aspectos históricos y políticos de la medicalización del parto. Sexualidad, Salud y Sociedad: Revista Latinoamericana [Internet]. 2020 [citado em 8 out. 2024]; (34):90-107. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sess/a/8dTQGdvHnBMN8S5MYmnBwFP/
Davis D-A. Obstetric racism: the racial politics of pregnancy, labor, and birthing. Trad. Tempesta GA, Almeida MET. Amazônica [Internet]. 2020 [citado em 8 out. 2024];12(2):751-78. Disponível em: https://periodicos.ufpa.br/index.php/amazonica/article/viewFile/9194/6927
Mattar L, Diniz CS. Hierarquias reprodutivas: maternidade e desigualdades no exercício de direitos humanos pelas mulheres. Interface [Internet]. 2012 [citado em 8 out. 2024];16(40):107-19. Disponível em: https://www.scielo.br/j/icse/a/XqxCrSPzLQSytJjsFQMdwjb/abstract/?lang=pt
Crenshaw K. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos Feministas [Internet]. 2002 [citado em 8 out. 2024];10(1):171-89. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/mbTpP4SFXPnJZ397j8fSBQQ/abstract/?lang=pt
Tempesta GA, França RL. Nomeando o inominável: a problematização da violência obstétrica e o delineamento de uma pedagogia reprodutiva contra-hegemônica. Horizontes Antropológicos [Internet]. 2021 [citado em 8 out. 2024]; 27(61):257-90. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ha/a/xXgjFBTzkvX8J57PcxvBgpK/
Hirsch O, Mendonça S. Violência obstétrica: um novo termo que engloba novas e velhas demandas. In: De Castro TDV (coord.). Violência obstétrica em debate: diálogos interdisciplinares. Rio de Janeiro: Lumen Juris; 2020.
Quattrocchi P, Magnone N (editores). Violencia obstétrica en América Latina: conceptualización, experiencias, medición y estrategias. Remedios de Escalada: Universidad Nacional de Lanús; 2020.
Diniz CS, d’Oliveira AF, Lansky S. Violência obstétrica como questão para a saúde pública no Brasil: origens, definições, tipologia, impactos sobre a saúde materna e propostas para sua prevenção. Journal of Human Growth and Development [Internet]. 2015 [citado em 8 out. 2024]; 25(3):377-86. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104-12822015000300019
Teixeira LA, Rodrigues AP, Nucci MF, Silva FL. Medicalização do parto: saberes e práticas. São Paulo: Hucitec Editora; 2021.
Collins PH. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Boitempo editorial; 2019.
Federici S. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução Coletivo Sycorax. Edição: Tadeu Breda. São Paulo: Editora Elefante; 2023.
Preciado PB. Testo junkie: sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica. Tradução Ribeiro MPG. Rio de Janeiro: Editora Schwarcz-Companhia das Letras; 2023.
Gonzalez L. Rios F, Lima M, organizadoras. Por um feminismo afro-latino-americano. Zahar. São Paulo: Editora Schwarcz-Companhia das Letras; 2020.
Carneiro S. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2015.
CIDH. Las mujeres indígenas y sus derechos humanos en las Américas. Organización de los Estados Americanos [Internet]; 2017 [citado em 8 out. 2024]. Disponível em: http://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/mujeresindigenas.pdf
Organización de los Estados Americanos. Comisión Interamericana de Derechos Humanos. Informe nº 46/15. Petición 315-01. Admisibilidad. Cristina Britez Arce. Argentina. 28 jul. 2015 [citado em 8 out. 2024]. Disponível em: https://www.oas.org/es/cidh/decisiones/2015/arad315-01es.pdf
Organización de los Estados Americanos. Comisión Interamericana de Derechos Humanos. Informe nº 236/19. Caso 13.002. Fondo. Cristina Britez Arce y familia. Argentina. 6 dez. 2019 [citado em 8 out. 2024]. Disponível em: http://www.oas.org/es/cidh/decisiones/corte/2021/AR_13.002_ES.PDF
Organización de los Estados Americanos. Comisión Interamericana de Derechos Humanos. Caso Brítez Arce y otros vs. Argentina. Sentencia. 16 nov. 2022 [citado em 8 out. 2024]. Disponível em: https://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_474_esp.pdf
Organización de los Estados Americanos. Comisión Interamericana de Derechos Humanos. Informe nº. 57/22. Petición 85-16. Admisibilidad. Jacqueline Edith Grosso Nuñes y otros. Uruguay. 20 mar. 2022 [citada em 8 out. 2024]. Disponível em: http://www.oas.org/es/cidh/decisiones/2022/URAD85-16ES.pdf
Câmara dos Deputados. Comissão Especial para Estudo das Razões do Aumento de Denúncias de Violência Obstétrica e a Alta Taxa de Morte Materna no Brasil. Câmara dos Deputados [Internet]. 2023. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/57a-legislatura/violencia-obstetrica-e-morte-materna
PAHO. Addressing violence against women in health policies and protocols in the Americas: A regional status report. PAHO [Internet]. 2022. Disponível em: https://www.paho.org/en/documents/addressing-violence-against-women-health-policies-and-protocols-americas-regional-status

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Adriana Ramos de Mello, Isadora Vianna Sento-Sé, Soraya Santos (Autor)
